Uma cooperativa que cruza fronteiras

O ano era 1990. No cenário brasileiro, o país assistia à posse do primeiro presidente eleito por voto popular, após anos de Ditadura Militar. A esperança de um futuro melhor estava em alta, apesar de fortes problemas financeiros que o país atravessava naquele período. Em busca de potencializar sua atividade e ganhar mercados, 143 pequenos transportadores do oeste Catarinense se uniram e criaram a Coopercarga, sediada em Concórdia (SC) e uma das mais importantes cooperativas de transporte de carga do Brasil, que também possui atuação em países do Mercosul.

Quem entra em seu site ou visita a sede da cooperativa já se depara com uma frase que mostra a sua missão: “Mais do que uma transportadora. Um operador logístico com soluções integradas, que vai além de novas alternativas do transporte. A Coopercarga oferece a você e sua empresa o controle e administração de todo o processo de transferência, armazenagem e distribuição. Serviços logísticos com inteligência, planejamento e informação”.

Os números da cooperativa mostram que o sonho dos fundadores se tornou realidade e comprovam a sua força no continente sulamericano. Atualmente são mais de 2.500 cooperados. Possui cerca de 700 colaboradores e 60 unidades (entre filiais, pontos de apoio, postos de combustível, armazéns e centros de distribuição). São mais de 1.900 veículos atuando diretamente na cooperativa.

Para o presidente da Coopercarga, Osni Roman, essa pujança se deve ao fato da cooperativa não esquecer suas raízes cooperativistas. “Esses propósitos fazem parte dos alicerces quem embasam todas as nossas decisões. E, claro, unindo a essa base, temos a preocupação constante com uma gestão eficiente e profissionalizada. Prova disso foi a aprovação que tivemos para a manutenção de nosso sistema de gestão (ISO 9001, para a versão 2015)”, disse.

Qualificação profissional
A base é uma das forças da cooperativa e ações são realizadas para esse público. Ao longo de sua história, foi apoiadora de atividades que visavam a defesa e capacitação dos profissionais do transporte de carga. Treinamento e segurança são prioridades em suas atividades. Através da Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte (Fabet), os profissionais da Coopercarga são treinados no uso de novas tecnologias e instruídos quanto à segurança e agilidade na operação logística.

“É imprescindível a qualificação dos profissionais que atuam no setor de transporte. Temos parceiros importantes para desenvolver esse trabalho, como a Fabet, que nos apoia na elaboração de programas para preparar os motoristas não só tecnicamente, mas também na parte comportamental e relacional. O maior patrimônio que temos são as pessoas e precisamos olhar para elas e contribuir com o seu desenvolvimento, pois são os nossos colaboradores que ajudarão a Coopercarga a chegar ao patamar desejado”, comentou.

E esse patamar, nos dias atuais, cruza fronteiras. De acordo com o presidente da cooperativa, um dos negócios é voltado exclusivamente para a atuação com operações no Mercosul: trata-se da Transferência Mercosul. “Temos uma filial em Itupeva e uma em Buenos Aires (Argentina), focadas nesse negócio, além de pontos de apoio no Paraguai, Uruguai e Chile. A principal barreira foi de ordem legal, justamente por sermos uma cooperativa. Isso porque o caminho para que as cooperativas chegassem a outros países do Mercosul ainda não estava construído. Tivemos, por exemplo, entraves para conseguir o permisso. Consideramos o negócio Mercosul como estratégico e extremamente importante para a cooperativa e nossos cooperados”, contou.

Ainda em 2017, o presidente Osni Roman espera que o cenário econômico brasileiro melhore como um todo. “Esperamos que esse ano finalize com uma melhora no cenário econômico e que isso reflita diretamente em nossas atividades. Focaremos em negócios estratégicos, priorizando pelo atendimento com excelência aos clientes que compõem a carteira de nossa cooperativa. Nossas perspectivas e planejamento apontam um crescimento de 15% para 2017, em relação a 2016. Em nossa visão, queremos estar, em breve, entre as cinco maiores e melhores do setor”, almeja o dirigente.

E a história continua com muitos quilômetros pelas estradas do Brasil e de outros países, além dos diversos desafios. São quase três décadas de trajetória, de evolução e conquistas, onde o cooperado é o principal ativo da cooperativa.

A Coopercarga no Rio
Segunda economia do Brasil, o Rio de Janeiro é visto como estratégico pela Coopercarga. O estado recebeu uma das primeiras filiais no ano de 1994. Atualmente, a cooperativa tem filial localizada na cidade de Duque de Caxias, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, com um ponto de apoio no bairro de Ilha de Guaratiba. Dentre os principais clientes da Coopercarga estão Dart do Brasil, L’Oréal, Ambev e BRF. A filial no Rio de Janeiro atua com mais de 200 veículos/mês e média de 300 embarques/mês, mas esse número varia conforme a época do ano.

Segurança em risco
Uma das preocupações da Coopercarga é o aumento no roubo de cargas. Números do Instituto de Segurança Pública (ISP) – órgão vinculado à Secretaria de Segurança Pública do Governo do Rio de Janeiro – mostram que os assaltos a caminhões triplicaram de 2000 a 2016. Em 2017, a média é de 24 caminhões assaltados por dia.

A situação do estado se agravou em 2016, quando foi mantida a alarmante trajetória de crescimento dos casos de roubo de cargas, com 9.862 ocorrências, terceiro recorde histórico consecutivo em 25 anos. O prejuízo causado pelo roubo de cargas no ano passado superou R$ 619 milhões. No acumulado de 2011 a 2016 foram registradas mais de 33,2 mil ocorrências – uma a cada 1h35min. Isto significou um aumento de 220% no período, com custo acumulado de R$ 2,1 bilhões.

“Há motoristas que evitam rotas que passem pelo Rio de Janeiro, bem como empresas de transporte que estão praticando tarifas diferenciadas quando o Rio de Janeiro é o destino. De todo modo, a cooperativa tem buscado alternativas junto a seus parceiros para prevenir os roubos de cargas, como a atualização constante dos nossos mapas de risco, a entrega a cada motorista do mapa de viagem, orientando sobre as áreas de risco e pontos de parada de cada rota, bem como dicas de segurança sobre horários de rodagem, particularidades da carga e da rota”, descreveu o presidente.

Aliado a isso, a Coopercarga também tem investido em tecnologia, ações de prevenção de perdas, entre outras iniciativas para minimizar roubos. Mas, por vezes, ele acontece. “Um caso recente, em junho, foi com uma carga de cosméticos. O veículo tinha como origem e destino pontos diferentes da cidade de Duque de Caxias, mas nem a rota curta e todas as medidas de segurança que adotamos evitaram o roubo da carga, avaliada em R$ 250 mil”, contou Osni.

São problemas estruturantes e de políticas públicas que afetam diretamente a logística dos transportes de cargas do Rio de Janeiro e o setor privado sobre medidas para mitigar ou, ao menos, reduzir os prejuízos. É neste ponto, também, que o cooperativisimo apresenta valores de sua essência que são necessários para o desenvolvimento de pessoas e regiões.

 

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