Transporte, o motor do Brasil

O Brasil é um país com grande extensão territorial e com o mercado automotivo bastante forte. Carros, táxis, ônibus, microonibus, caminhões e demais veículos, diariamente, cruzam os mais de 1,7 milhão de quilômetros de estradas todos os dias. Com toda certeza, quem já precisou se deslocar ou contratar algum serviço de entrega, de alguma forma, já esbarrou em cooperativas do ramo Transporte.

Neste segmento cooperativista, estão reunidas várias modalidades, como o transporte individual de passageiros, como as de táxi e mototáxi, o transporte coletivo de passageiros, como as de vans e ônibus, o transporte de cargas, como as de caminhões, motocicletas, furgões e o transporte escolar.

Dados disponibilizados no site da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) mostram que o ramo Transporte possui 1.205 cooperativas, que contam com 136.425 cooperados e 11.209 colaboradores. Para se ter uma ideia da força da do segmento, o sub-ramo Transporte de Cargas tem uma frota de 33 mil veículos e é responsável pela circulação de 330 milhões de toneladas de cargas, com movimentação econômica superior a R$ 6 bilhões por ano. Já as cooperativas de transporte de passageiros contam com 46 mil veículos e transportam ao ano aproximadamente 2 bilhões de pessoas.

Criado em 2002 pelo Sistema OCB, o ramo das cooperativas de transporte é, atualmente, coordenado por Abel Paré. Segundo o representante, a criação do segmento foi se deveu a uma série de desafios para viabilizar o sistema logístico e a própria competitividade dos produtos brasileiros. “O cooperativismo de transporte é um tipo de resposta a esses desafios, uma solução florescida das bases, em cada sub-ramo os pequenos transportadores encontraram uma forma de se organizar e viabilizar sua atividade de forma digna e honesta”, afirma.

Abel acrescenta, também, que a criação do ramo deu um caminho para organização e estruturação profissional dos pequenos transportadores, os quais encontravam nas cooperativas uma forma de melhorar o acesso e as condições de operação, com melhor distribuição das oportunidades e dos resultados.

De lá até os dias atuais muita coisa mudou, novos obstáculos tiveram que ser ultrapassados, como a criação de Manuais técnicos do ramo transporte (Contábil, Tributário e Operacional), o reconhecimento da categoria pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Sustentável (BNDES), entre outras iniciativas.

“O ramo está presente em todos os estados e as cooperativas atuam nos mais diversos segmentos, com muitas apresentando crescimento acima da média do setor, graças à qualificação profissionalização dos profissionais, muitos deles apoiados pelo Sescoop. Através da OCB, foram desenvolvidos manuais técnicos que viabilizaram o alinhamento da gestão, operação, contabilidade e tributação das cooperativas em seus segmentos, e as equipes de monitoramento das OCEs têm trabalhado junto às cooperativas para garantir tal alinhamento”, informa.

Chegada dos aplicativos
O ramo Transporte, mais especificamente o sub-ramo Táxi, foi um dos mais atingidos pela chegada dos aplicativos de chamadas de corrida e, também, dos de carona solidária. O baque foi muito grande, com redução significativa de usuários e a saída de cooperados. Para reverter a situação, foram promovidas algumas medidas, como a criação de um grupo de trabalho específico – o GT do Táxi – que, entre outras ações, desenvolveu o “Projeto Bandeira Única”, uma plataforma integrada de negócios que contemple os principais requisitos para atuar neste novo cenário.

“A plataforma de negócios “Bandeira Única, conta com: App de corridas, câmara de compensação, central de compras, e tecnologia de gestão, além dos manuais técnicos: Manual Operacional, Contábil e Tributário. Ou seja, é um conjunto integrado de ferramentas para habilitar as cooperativas a competir com êxito. A plataforma está em fase de homologação junto a um comitê gestor de cooperativas de táxi, que, em breve, deve apresentá-la ao mercado”, comenta Paré.

Até como estímulo dado pela representação nacional, no Rio de Janeiro, em janeiro, cooperativas de táxi lançaram o aplicativo Unitáxi. O intuito da nova forma de chamada, segundo as cooperativas, é oferecer um serviço melhor à população e gerar receita extra aos seus cooperados. Nesta iniciativa, os custos de publicidade são rateados e as cooperativas usufruem de um aplicativo moderno para superar a concorrência cada vez maior no setor. A ideia deu certo e foi apresentada em maio às cooperativas de Pernambuco.

Redução de Custeio
Em um mercado cada vez mais competitivo, a redução de custos têm sido uma questão sempre abordada. Um passo importante foi dado em 2014, com o lançamento, no Rio de Janeiro, da Rede Transporte, que proporcionou redução de valores na compra de produtos e contração de serviços, como pneus, recapagens e implementos; combustível, óleo e lubrificantes; seguros de cargas, contra terceiros e de vida, tecnologia; veículos, peças e acessórios.

“A partir da nacionalização da Central de Negócios – Rede Transporte, ocorrida em 2014, a Rede expandiu sua atuação para as demais regiões além o RS, considerando a diversidade do ramo e a extensão do país, um desafio interessante! O principal feedback das cooperativas é sobre aquisição de combustível, já temos cooperativas comprando diesel além o RS, também no ES, MT, SC, PR, e em fase de negociação em MG e BA. Também há experiências na aquisição de pneus, seguros de responsabilidade civil, pagamento eletrônico de fretes – PEF, e mais recentemente a tecnologia Rede Frete foi disponibilizada aos associados”, finaliza.

O setor de transportes continuará sendo um dos motores da economia brasileira. Com uma gestão moderna e eficiente, o ramo tem todas as possibilidades de continuar sua trajetória crescente, reafirmando sua importância para a economia brasileira.

Reportagem: Richard Hollanda

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