DataCoop: atuação pela liberdade intelectual da sociedade

Reportagem: Richard Hollanda (redação@montenegrogc.com.br)

O que se fala nas instituições acadêmicas é que “a biblioteca é mais do que apenas livros”. E é verdade. Por trás de cada corredor com estantes repletas de livros existe um profissional que trabalha para o visitante ter prazer em percorrer a biblioteca: o bibliotecário. No Rio de Janeiro, um grupo de profissionais pensou além e criou a DataCoop, a primeira cooperativa de profissionais da informação na América Latina que, desde 1996, defende a liberdade intelectual, a igualdade de acesso à informação e do conceito de domínio público na lei de direitos autorais.

A DataCoop surgiu da visão empresarial da bibliotecária Iracema Rodrigues de Moraes que, à época, ocupava o cargo de vice-presidente do Sindicato dos Bibliotecários do Rio de Janeiro (Sindib-RJ).

“Em 1996, o grupo realizou a assembleia de fundação da DataCoop e, a partir de decisão dos sócios fundadores, foi permitida a associação de outros profissionais de nível superior, como arquivistas, museólogos, documentalistas, conservadores, editores, historiadores e de técnicos e auxiliares de arquivo e de biblioteca”, afirma Guilma Vidal, uma das fundadoras.

O início não foi fácil. A cooperativa ocupava uma sala cedida pelo Sindib-RJ. Depois foi contratado um escritório virtual. Uma recepcionista atendia à linha privativa da DataCoop e repassava as mensagens. Reuniões eram agendadas previamente e se pagava pelos serviços extras.

“Quando o volume de trabalho e documentação assim o exigiu, passamos a locar salas no mesmo endereço que ocupamos hoje. Esse espaço cresce ou encolhe, dependendo da demanda dos projetos que contratamos”, diz Guilma.
Além do desafio físico, existia o intelectual, pois não havia conhecimentos sobre cooperativismo ou empreendedorismo. Guilma lembra que a legislação cooperativista praticamente decretava morte fetal às cooperativas que não apresentassem resultados em seis meses.

“Possuíamos um grande trunfo: nosso capital intelectual, formado por profissionais experientes e com networking. Isso nos permitiu construir a identidade visual, visibilidade nas mídias digitais, prospectar clientes e obter rapidamente resultados”, afirma a cooperada.

Projetos
Ao longo dos anos, muitos projetos foram encabeçados pela cooperativa. Em seu leque de ações, realiza implantação de CDIs, informatização de acervos, construção de linguagens de informação, elaboração de esquemas de classificação, de tabelas de temporalidade de documentos, pesquisas documentais, padronização de publicações, conservação de acervos raros e culturais, entre outros.

Dentre os projetos marcantes durante os seus 21 anos está o Memória das Artes, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), que consiste na higienização, restauro, identificação de artistas retratados, indexação em banco de dados e digitalização de imagens com obtenção de autorizações de uso que permitam que o acervo possa ser baixado.

Também merece importância a implantação da Biblioteca Parque do Estado. Uma delas fica na Avenida Presidente Vargas, próxima à Central do Brasil, uma das regiões mais movimentadas do Rio de Janeiro. Os cooperados ficaram responsáveis pela catalogação, classificação, indexação e informatização do acervo de 280 mil itens.

A DataCoop está em uma nova fase, com a necessidade de participação dos associados e intensificação dos treinamentos internos sobre questões cooperativistas.

“Apesar das dificuldades, consideramos que a DataCoop está numa situação ímpar entre as empresas. Em primeiro lugar, por ser cooperativa e com as vantagens que o modelo oferece. Em segundo porque não possui concorrentes qualificados no mercado. E embora se apresente cauteloso, o mercado não está saturado”, finaliza.

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