Primeira cooperativa de trabalho da Argentina pode fechar

CITA(La Plata – Argentina) A Cooperativa Industrial Têxtil Argentina (CITA) de La Plata, formada em 1952, é a primeira cooperativa de trabalho da Argentina. Sua fundação foi tão importante que ela teve lugar na Casa Rosada, com a presença do ex-presidente Juan Domingo Perón. Criado a partir da falência de uma empresa que foi fundada em 1926, ela produz tecidos planos de algodão utilizados para vestuário de trabalho, vestuário hospitalar, lençóis, macacões, entre outros itensNo entanto, a importante cooperativa criada no Peronismo pode estar em seus últimos dias. As mudanças econômicas promovidas pelo novo governo da Argentina, sob o comando de Maurício Macri, tem promovido grandes prejuízos à CITA. “O aumento na taxa de juros, a queda da demanda e abertura para importações estão deixando a cooperativa “à beira do encerramento””, como disseram os seus cooperados.

“A desvalorização nos prejudicou muito. Suprimentos e peças de reposição, antes comprados por 9 pesos (R$ 2,30), passaram a custar 14 mil (R$ 3.580). Isso nos fez perder várias empresas”, disse Sergio Yosko, presidente da cooperativa e também vice-presidente da Federação das Cooperativas de Trabalho Argentina (FECOOTRA).

Outro fator que ameaça a continuidade da cooperativa é o aumento do preço pago por alguns serviços. A conta de luz, por exemplo, saltou de 18 mil pesos (R$ 4.600), em dezembro de 2015, para mais de 50 mil (R$ 12.800) no mês de maio. O valor pago pelo gás natural também subiu, passando, no mesmo período, de 7 mil pesos (R$ 1.790) para 27 mil (R$ 6.910).

“Com abertura das importações, alguns clientes optaram por comprar tecidos fora, com os quais não podemos competir. Também estamos afetados pelo encolhimento do mercado doméstico, com uma redução acentuada das vendas “, explicou Yosko, que acrescenta: “Tudo isso nos leva ao encerramento total da cooperativa dentro de alguns meses ou talvez semanas. Achamos muito difícil cumprir as nossas obrigações”.

Para colaboradores, este é um dos piores momentos, visto que a venda caiu para menos da metade, caindo de 70 mil para 30 mil metros. “Já passamos por bons e maus momentos, mas essa é uma das piores crises que estamos enfrentando”, disse o presidente da CITA

Neste contexto, os parceiros testam alternativas para enfrentar a crise e os trabalhadores se revezam no cargo, recebendo metade do salário e não podendo tirar férias. Eles também pediram subsídios do Estado não pagar as taxas completas, estão participando de um projeto produtivo com a Faculdade de Engenharia da Universidade Nacional de La Plata e visam alugar quartos que não estão sendo usados para o município.

Fonte: Misiones Online

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