Elogio estratégico

Bases_450 x 450 px_PauloRezendePaulo Roberto Rezende é palestrante e consultor nas áreas de Treinamento e Desenvolvimento, Liderança, Planejamento Estratégico, Comunicação Empresarial, Redação Técnica, entre outras. Graduado em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, com pós-graduação em Gestão Estratégica Empresarial e em Docência de Ensino de Nível Superior.

Como mostra a experiência, comece do início, seja pragmático.

Implementar e consolidar práticas que assegurem a captação, retenção e desenvolvimento das pessoas, criando oportunidades que as integrem, desenvolva-as e as estimulem ao comprometimento com os resultados – eis, em linhas gerais, a Missão da área de Recursos Humanos (RH). Para que seja cumprida, é preciso que a equipe aprenda a caminhar com firmeza, não caindo no erro elementar de querer mudar o mundo logo de cara. Não dá!
Na maioria das vezes, os interesses do pessoal de humanas (mudar o mundo) e do empresário e seus financistas (auferir lucros) parecem diametralmente opostos. Em se tratando de RH, o melhor é “comer o mingau pela beirada”, se não souber, aprenda a fazê-lo, sob pena de queimar energia, comprometer esforços e a própria imagem – esse bem intangível e valioso.

Para os iniciantes, é bom saber que, independente do porte e segmento, há empresários, diretores, gerentes, entre outros, para quem o RH se resume às funções de recrutar, admitir, demitir, cuidar da folha de pagamento, segurança e medicina ocupacional e – óbvio! – organizar festas de aniversário. Sequer passa por suas cabeças de que cabem à área responsabilidades tão ou mais nobres para o negócio. Surpreendem-se quando descobrem que também pode subsidiar decisões estratégicas, recrutando e selecionando alinhado aos novos desafios, treinando e desenvolvendo segundo demandas específicas – desmistificando a ideia de que treinamento é turismo e lazer nas belíssimas praias do Nordeste –, construindo e fornecendo indicadores de resultados, atualizando políticas de remuneração e por aí vai.

Como mostra a experiência, comece do início, seja pragmático: esquadrinhe a empresa (missão, visão, estrutura) e as pessoas – especialmente as chaves e eminências pardas: conheci peões mais poderosos que diretores – afinal, como se dizia pelos corredores, “foram os primeiros colaboradores e são íntimos dos donos”. Identifique as necessidades, avalie os custos e recursos disponíveis, estabeleça onde e quando quer chegar e os benefícios, crie parcerias – só então ouse elaborar o seu plano de trabalho.

Ainda que você domine tudo isso e sua equipe seja qualitativa e quantitativamente capaz e suficiente para atingir as metas, não caia na tentação de mostrar “toda a sua sabedoria” num piscar de olhos: as desconfianças decorrentes da competitividade acirrada são perniciosas e não valem a pena. Não se esqueça de que máquinas e equipamentos podem ser substituídos anualmente, marketing e estratégias comerciais, semanalmente, tecnologias, diariamente, contudo, quando se fala em mudar hábitos e culturas – desculpe a expressão – os buracos são mais embaixo.

Depois, ânimo e mãos na massa, lembrando-se de, vez em quando, elogiar certos peões. Isso pode ajudar, acredite!

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