Rio de Janeiro terá primeira cooperativa de energia renovável

002As belezas naturais da cidade do Rio de Janeiro são cantadas em verso e prosa. Tom Jobim, na música Samba do Avião, disse que o Rio era de sol, céu e mar. E é justamente uma dessas belezas naturais – o Sol – que pode mudar a vida de moradores do Morro da Babilônia, no Leme, Zona Sul da cidade. No sábado, 30 de janeiro, foram inauguradas as duas primeiras instalações solares fotovoltaicas no Mirante da Babilônia.

A iniciativa é da Associação RevoluSolar, que iniciou conversas com o Sistema OCB/Sescoop-RJ para constituir a primeira cooperativa de infraestrutura de energia solar do Estado. A inauguração marca, também, o início da independência energética e uma transição democrática de energia renovável para a favela da Babilônia.

Presente à inauguração e representando o presidente do Sistema OCB/Sescoop-RJ, Marcos Diaz, o vice-presidente Jorge Meneses diz que a iniciativa utiliza um dos recursos naturais de maior potencialidade na cidade e vai mudar a vida das pessoas. “O que se vê aqui é justamente um trabalho que visa ao desenvolvimento de todos. Com a constituição da cooperativa de energia solar, daremos a base adequada para que ela proporcione o desenvolvimento de todos os moradores do Morro da Babilônia”, afirma Meneses.

O presidente da Revolusolar, Pol Dhuyvetter, é belga e está no Brasil há sete anos. Em seu país de origem, era cooperado da EcoPower – que possui mais de 50 mil famílias associadas e oferece uma das energias mais barata do país europeu.

“O nosso sonho de criar uma cooperativa na área de energia renovável está se tornando realidade. Não só resolverá o problema das altas contas de luz para as famílias de baixa renda, mas capacitar as pessoas que sofreram exclusão social e dar orgulho por se tornarem produtores de energia. Nosso projeto é um exemplo de desenvolvimento sustentável, com benefícios sociais, econômicos e ambientais para a comunidade”, conta.

Segundo Dhuyvetter, o objetivo em 2016 é instalar painéis em 1% das residências da Babilônia, que tem pouco mais de mil casas. Por enquanto, além das duas já instaladas há outras cinco interessadas. Para ele, o investimento pode ser grande no início, mas compensa a longo prazo com o retorno do valor pago em seis anos.

Para o presidente da Associação de Moradores do Morro da Babilônia, André Luiz Abreu, a chegada das instalações e, por conseguinte, a constituição de uma cooperativa no segmento de energia solar dará autonomia aos moradores. “Muitos sofrem com os altos valores da concessionária de energia, pagando até R$ 1 mil por mês. Acredito que a difusão desse modo de energia sustentável será longo, porém, com alta chance de ser bem sucedido e difundido nas comunidades”, comenta.

Pelo Sistema OCB/Sescoop-RJ, também estiveram presentes os conselheiros do Sescoop/RJ, Inês Di Mare e Antônio Cesar do Amaral, os assessores da OCB/RJ, Carlos Piragibe e Valdinei Calixto e o consultor Sérgio Mello.

Cooperativa

Com um número crescente de famílias interessadas em se tornarem produtores de energia, o objetivo da RevoluSolar é a criação da primeira cooperativa de produção de energia renovável no Brasil. Em visita realizada no dia 20 de janeiro, o Sistema OCB/Sescoop-RJ ratificou na constituição da cooperativa. As conversas para este projeto tiveram início em novembro de 2015, quando os representantes da RevoluSolar estiveram na sede da OCB/RJ.

Além do Sistema, a Associação é apoiada pelas instituições Viva Rio, Frente para uma Nova Política Energéticas do Brasil, Favela Orgânica e Fundação Heinrich Boell.

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