450 anos influenciados pelo cooperativismo

No dia primeiro de março o Rio de Janeiro completou 450 anos e a Cidade Maravilhosa, que já foi a capital do império, se consolidou como um dos locais mais visitados do mundo. Destacando-se como um dos municípios brasileiros com grande vocação para o cooperativismo – cuja tendência já podia ser observada desde os tempos dos Jesuítas – a primeira cooperativa do Rio foi a Militar de Consumo, que teve a sua criação autorizada em 2 de outubro de 1890 por meio de decreto assinado pelo chefe do Governo Provisório, Marechal Manoel Deodoro da Fonseca.

Esta iniciativa de 125 anos partiu de um grupo de oficiais do Exército com interesse no provimento de mantimentos e uniformes pelo menor preço. No caso de civis, a aquisição era feita mediante apresentação de uma senha fornecida pela cooperativa. A sociedade anônima, como conhecida à época, também praticava a modalidade de empréstimos a juros baixos. A divisão dos ganhos se baseava no modelo Rochdale: os sócios compradores tinham direito a 25% dos lucros, dividido em razão das compras e os empregados dispunham de 8%.

Um recente levantamento feito pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) revela que no Estado do Rio de Janeiro mais de 230 mil pessoas estão vinculadas a uma cooperativa de um dos 13 ramos. Os ramos Consumo, Transporte e Trabalho destacam-se na capital impulsionados em um momento de alta da taxa do desemprego, ocorrido há mais de 10 anos.

Outra forma de utilizar o cooperativismo como ferramenta de desenvolvimento da sociedade seria criando cooperativas de resgate da agricultura urbana – que estimulam a produção de alimentos orgânicos aproveitando áreas ociosas nas regiões metropolitanas. Apesar do incentivo a este método agricultor constar no Plano Diretor do município, não está claro se há fomento por meio do cooperativismo.

No último ano, o Rio de Janeiro recebeu um milhão de visitantes para a Copa do Mundo de Futebol, interessados em assistir aos jogos realizados na cidade. O evento movimentou vários setores da economia devido ao turismo inflado e diversos ramos cooperativistas foram beneficiados. Com a proximidade dos Jogos Olímpicos Rio 2016, nasce uma oportunidade ainda maior para o desenvolvimento de cooperativas. Em comunidades carentes, por exemplo, mulheres e chefes de família se unem com o objetivo de aumentar a renda.

O modelo Rochdale de cooperativismo, nascido na Inglaterra em 1844, foi aplicado em um movimento mundial e também chegou ao Rio de Janeiro. Dos 450 anos da cidade, a lição que fica é que muito já foi conquistado, porém, ainda há bastante a evoluir. Assim, em seus bravos 125 anos, o cooperativismo carioca pode ser considerado em fase de crescimento e em aprendizado contínuo.

Tainá Bittencourt  – jornalista especializada em cooperativismo

Montenegro Grupo de Comunicação

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