Tomando rumo

Por Paulo Roberto Rezende*

“Se completou 18, 19 anos, por ser muito jovem e não possuir experiência, não interessa ao mercado de trabalho; se passou dos 40, está cheio de vícios e é velho demais…”

Certamente, todos já ouvimos afirmações parecidas com essa, seja dita por amigos, por algum familiar ou, quem sabe, por nós mesmos. Em regra, embarcamos no discurso e ajudamos a jogar pedra nos empresários, no governo, na globalização, no professor que não ensina nada, na torcida do flamengo e por aí vai. Mas, afinal, esse paradoxo é verdadeiro? Se for, como o jovem vai adquirir experiência e o que os mais idosos vão fazer da vida se ambos estiverem, digamos, “disponíveis” no mercado?

Ao longo da minha vida profissional, seja nos RHs, seja em sala de aula, ouvi dezenas de vezes afirmações desse tipo; na verdade, não posso desmenti-la em relação ao paradoxo da faixa etária, porém, a razão não é apenas a falta de experiência ou experiência demais.

Pense um pouco…

Na dinâmica das relações dos mercados de trabalho (o que oferece as vagas de emprego) e o de recursos humanos (conjunto das pessoas que podem trabalhar), muitas são as exigências de todos os lados, sejamos francos. Se um lado as empresas forjam perfis de seres humanos quase perfeitos – fluência em língua estrangeira, domínio de informática, proatividade, assertividade, espírito de liderança, excelente redação, ótima comunicação, etc., etc. –, os candidatos, por seu turno, aspiram às empresas que lhes ofereçam ótima remuneração, segurança, “status”, oportunidade de crescimento, etc., etc. Como contestá-los, não é mesmo? Afinal, é um direito de ambos procurarem o que há de melhor. É justo e indiscutível.

A questão é que muitas vezes – dê uma olhada ao seu redor! – os personagens não fazem o exercício de casa. Há empresas – Deus nos livre! – que quando se conhece os bastidores e entranhas descobre-se que não são nada daquilo que vociferam por aí e as propagandas – como somos enganados! – gritam aos quatro cantos: diretores corruptos, chefes insuportáveis, missão e valores só para constar, competitividade desenfreada e desonesta, metas inatingíveis, panelinhas, falta de ética. Quem vive ou já viveu isso sabe o porquê dos estresses das noites de domingo e manhãs das segundas-feiras! Trataremos disso em outra oportunidade.

Um Profissional, assim, com maiúscula, ainda que exista aos montes por aí, não é uma figura que os bons recrutadores encontram dando sopa nas esquinas – normalmente, mas nem sempre, é claro!, ou estão empregados ou o mercado de trabalho – acredite! – não sabe que ele existe. E isso, meu camarada, nada tem a ver com idade ou experiência, mas com outras questões muito mais relevantes.

Pense um pouco. No próximo número, falaremos sobre isso. Até lá!

Bases_450 x 450 px_PauloRezendePaulo Roberto Rezende é palestrante e consultor nas áreas de Treinamento e Desenvolvimento, Liderança, Planejamento Estratégico, Comunicação Empresarial, Redação Técnica, entre outras. Graduado em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, com pós-graduação em Gestão Estratégica Empresarial e em Docência de Ensino de Nível Superior.

 

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