Que Brasil queremos?

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Por Cláudio Montenegro, editor-executivo da Rio Cooperativo*

“Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências.”
(Pablo Neruda)

Finda a “festa da democracia das urnas”, o país volta à dura realidade da queda de braço do governo autorizado para mais quatro anos de mandato com a oposição aditivada com a força de mais de 51 milhões de votos contrários à pequena maioria (pouco mais de 54 milhões de eleitores).

Em se levando em conta as mais de 30 milhões de abstenções, face aos números totais, não podemos simplesmente cerrar os olhos para a real situação de um país dividido, menos pela divergência de opiniões que pelo inconformismo aos tristes fatos ocorridos nos últimos anos.

Ainda que o resultado das urnas tenha deixado um gosto de ressaca em quase metade dos brasileiros, é leviano atribuir culpa aos irmãos nordestinos por isso. Ou aos mineiros, que não referendaram seu voto aos tucanos. Ou ainda aos estados do Norte do país, que entenderam ser o governo petista a melhor opção.

Em todo o processo político atual, só existe um único culpado: o povo brasileiro, que se acomodou ao longo dos anos com a corrupção vigente, acostumado a ver apenas marolinhas em meio a enxurradas de escândalos.

Vivemos no país da impunidade, da corrupção elevada ao nível extremo, onde bissextamente surgem Joaquins Barbosas agindo como verdadeiros Dons Quixotes, lutando contra moinhos cada vez maiores e mais numerosos. Vivemos em meio aos descasos das autoridades governamentais em questões de saúde pública, educação, segurança, transportes e muito mais.

Mas não podemos simplesmente polarizar o país entre petistas e tucanos. No final das contas, os vícios governistas são praticamente os mesmos. A nova Câmara de Deputados terá a oportunidade de confrontar essa prática recorrente há pelo menos 20 anos, com a entrada de novos partidos eleitos pela primeira vez e outros que terão maior presença no parlamento.

De certo que o Plano Real estabilizou a economia e moeda brasileiras e os programas bem-sucedidos do governo FHC serviram de pontapé inicial para os programas de apelo popular dos governos petistas, como o Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida. Mas tudo não passa de cortina de fumaça quando se enxerga a triste realidade de milhões de brasileiros que vivem ainda na miséria, na esperança de receber luz em seus lares, escolas para seus filhos, casas para suas famílias, saúde decente nos hospitais e clínicas. Num país de dimensões continentais, entre as dez maiores economias do mundo, tal situação é inconcebível!

É necessário uma maior participação da sociedade, seja opinando, criticando ou confrontando de forma inteligente e determinada todos os passos de nossos governantes, sob pena de serem alijados de todo e qualquer processo político.

Já passou da hora de refletir que Brasil queremos. O da ilusão, com Bolsas-Migalhas e programas de cunho puramente eleitoreiros para os miseráveis, verdadeiros fantoches nas mãos de políticos inescrupulosos. O da impunidade, onde quanto mais se rouba dos cofres públicos, menos chances se tem de ir para a cadeia. Ou o da utopia, onde o trabalho duro prevaleça, as boas práticas de conduta moral sejam palavra de ordem e a impunidade não seja uma prática recorrente.

Esta é a lição que todo cooperativista aprende desde que se depara com a filosofia e a doutrina criadas em 1844 pelos aqueles utópicos de Rochedale. Que nos sirva de modelo.

Boa leitura e saudações cooperativistas!

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