Integração como estratégia de competitividade

Bases_450 x 450 px_MarcasPor Mauri A. B. Pimentel. Mestre em Gestão Empresarial pela FGV, Administrador especialista em Gestão de Empresas Cooperativas pela UFV e CEO da SAPIENCE Consultoria, Auditoria e Treinamento Empresarial Ltda.

Não há dúvida de que a existência de grandes mercados regionais oferece vantagens competitivas para a concentração do setor privado, visando à maximização de resultados através da ampliação da oferta e/ou da redução de custos operacionais.

Entretanto, a crescente tendência à concentração financeira de grandes conglomerados empresariais, bem como da atração destes capitais estrangeiros para o estabelecimento de unidades de negócio em países de economia em ebulição como o Brasil, geram forte pressão em direção à redução da competição e certo nível de domínio dos mercados regionais.

A maior preocupação dos órgãos nacionais de defesa da livre concorrência, como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) não é somente o possível domínio do mercado promovido pelos processos de concentração empresarial, mas os benefícios que esta movimentação possa gerar para os consumidores finais, permitindo-lhes melhorar seu nível de vida.

É escrita corrente para diversos autores que o movimento cooperativo deve adaptar-se aos novos condicionantes econômicos, concentrando sua atenção em reformas estruturais que garantam racionalização da produção e redução de custos, aumento de ganhos de escala através da integração de suas estruturas de produção de bens e/ou prestação de serviços sem, entretanto, perder de vista seus princípios democráticos e de desenvolvimento socioeconômico coletivo e regional.

A integração cooperativa tem, portanto, o caráter de agrupar unidades econômicas muitas vezes pequenas e numerosas com o objetivo de instrumentalizá-las para o enfrentamento do mercado competitivo global.

Para que possamos avançar no tema, faz-se necessário delimitar o conceito de integração cooperativa, como um instrumento genuinamente cooperativo de agregação societária que não aparece motivada somente pela capacidade de aumentar a robustez econômico-financeira da organização, mas que mostra demasiadamente mais complexa do que isso, pois tem em seu arcabouço teórico a função prima de obter, mediante uma apreciação justa do valor adicionado dos produtos e serviços ofertados, uma rentabilidade adequada e coerente para o indivíduo, em última análise, alicerce de toda a estrutura cooperativa.

Entretanto, Parra de Más (1974) alerta para o fato de que não se deve ver a integração cooperativa como uma solução simplista para quaisquer problemas que possam ser deflagrados hoje no movimento. É sim uma técnica, uma acomodação a novas circunstâncias, cujo futuro cooperativo pode dependersubstancialmente de sua eficaz implantação.

Sánchez (1999) afirma que a integração cooperativa guarda íntima relação com o sexto princípio do cooperativismo – a intercooperação – constituindo-se como a materialização técnica do mesmo e servindo rigorosamente aos pressupostos cooperativos propostos pela Aliança Cooperativa Internacional.

Podemos perceber que, ao contrário do que pensam os cooperativistas que pregam em demasia o “respeito à singularidade” das cooperativas de primeiro grau, muitas vezes se contrapondo à ampla aplicação do princípio da intercooperação no âmbito das corporações cooperativas, a integração em nada se opõe à essência da cooperação, visto que preconiza que os fatores econômicos e representativos que norteiam sua aplicabilidade devem conjugar-se com a natureza específica da cooperativa para uma combinação adequada.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*


%d blogueiros gostam disto: