Projéteis: pioneira em cultura no Estado

projeteis3Definir arte é uma tarefa que varia de acordo com as transformações culturais e o contexto histórico. Segundo o filósofo Charles Peirce, fundador da semiótica, a principal função das artes é expressar os estados de consciência humana.

No Brasil, a maioria das cooperativas culturais estão localizadas em São Paulo. No Rio de Janeiro, a pioneira é a Projéteis (Cooperativa Carioca de Empreendedores Culturais). Outras referências são a Coopas Multimagens (no segmento audiovisual), a Inverta – Cooperativa de Trabalhadores em Serviços Editoriais e Noticiosos (que produz livros e periódicos) e a Cultural dos Esperantistas (que faz a disseminação da língua Esperanto).

A Câmara dos Deputados aprovou a Emenda 49 na Medida Provisória no 627/2013. O texto prevê que as cooperativas culturais, a exemplo das de táxi, sejam isentas da cobrança do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). O texto segue para votação no Senado e, em seguida, sanção presidencial.

O tesoureiro da Cooperativa Paulista de Teatro, Paulo Celestino, e o presidente da Cooperativa de Música, Luis Felipe Gama, foram os responsáveis pela articulação política para a inclusão da emenda.

Para Luis Felipe, a aprovação é histórica. “Não é só a possibilidade de sobrevivência, é muito mais: a afirmação e o crescimento de um modelo de organização político econômica de artistas com 35 anos”, declarou.

Pioneirismo

Inspirada na Cooperativa Paulista de Teatro, criada em 2009, a Projéteis conta com a participação de 20 artistas de diversas áreas e produtores independentes. No currículo, a experiência de produção e execução de mais de 20 projetos cênicos, de intervenção urbana, séries radiofônicas, ocupações artísticas de equipamentos públicos de cultura, além de encontros e fóruns de discussão. Sediados na Casa da Glória, espaço de convivência e produção artística do Rio de Janeiro, a cooperativa promove oficinas, cursos, palestras e workshops a fim de estimular o senso crítico e levar formação cultural à população.

A diretora administrativa da Projéteis, Maíra Gerstner, afirma que a fonte primária de renda são os editais públicos. “Desde o seu início, a cooperativa concorre a editais desenvolvendo os espetáculos dos cooperados. No entanto, há períodos em que não temos trabalhos e, por isso, vimos a necessidade de articular outros serviços para ampliar o nosso mercado de atuação”, explica.

A cooperativa é responsável pela programação do Teatro Sérgio Porto e já desenvolveu trabalhos para os Teatros Gláucio Gil e Glauber Rocha. Atualmente, ministra cursos em parceria com o espaço LEC Cursos & Consultoria e executa, desde o ano passado, um projeto de consciência corporal para os funcionários do Serviço de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado do Rio de Janeiro (Sescoop/RJ).

Dificuldades

De acordo com Frederico Cardoso, cooperado da Fora do Eixo Filmes, a burocracia e a quantidade de impostos foram os principais fatores que dificultaram a permanência da cooperativa de forma ativa. Os cooperados abriram suas próprias produtoras e começaram a fazer parcerias aliviando um pouco a situação. Hoje ONG, Frederico diz que foi a melhor saída. “Com o espírito de colaboração, entendemos que o melhor seria economizar burocracia e impostos, mantendo-nos conectados pelo cinema e não pela formalidade estatutária”, revela.

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