As bases da Autogestão

Dentro da sistemática em que venho desenvolvendo temas sobre Cooperativismo, abordaremos um dos mais importantes para avaliação de uma cooperativa: a gestão democrática. Este é um dos princípios fundamentais para o funcionamento de uma verdadeira cooperativa.

Inicialmente, há que se afirmar a necessidade preliminar de uma cultura democrática a ser disseminada dentro da instituição, impondo que a gestão democrática não seja uma dádiva dos diretores e conselheiros, ao revés, uma exigência fundamental de base para o correto funcionamento de uma cooperativa!

Tem-se notícia de que até empresas com culturas nada democráticas, quando em situação de crise, abrem discussões com os seus empregados visando a captar ideias e sugestões deles. As ideias podem ser dadas à vontade porque não são instrumentos de decisão; estas nascem em outra instância, seguramente sem a presença dos empregados!

A prática de consulta aos empregados apenas em momentos de crise, na verdade, é a apropriação da atividade intelectual de forma vil, covarde e descabida daqueles que nunca consideraram os empregados em seus planejamentos e decisões empresariais.

Sugestões e informações podem brotar em todos os estratos das instituições, exceto as ordens e instruções que nascem da cúpula empresarial. Infelizmente, muitas vezes estas instruções são contrárias aos interesses dos empregados e, às vezes, foram alinhavadas com as propostas dos próprios empregados.

Numa cooperativa as informações, ideias, ordens e instruções precisam ser geradas pelo conjunto dos cooperados, o que entende-se por Autogestão.

Na verdade, a negação de participação dos cooperados no mundo das decisões não é tão explícita. É prática corrente “cultura do diálogo de corredor” entre o dirigente e o cooperado comum, transformando este dirigente em um modelo de líder democrático. A maioria dos cooperados não distingue que a ele só é dado falar no corredor, mas nunca participa do mundo decisório, da produção das ordens e das instruções, tais como dos planejamentos e das estratégias.

Ao proporcionar a participação dos cooperados somente nos fóruns, inibe-se uma possível reivindicação de participação nas esferas do poder decisório, estratificando o status de uma cooperativa em duas classes: a dos “donos” e a dos “outros”.

Do distanciamento entre os dirigentes (mundo das ordens e das decisões) e os cooperados (mundo dos que aceitam) surge o desinteresse pela instituição, aniquilando a perspectiva da Autogestão, ocasionando a perda da funcionalidade de cooperativa.

Autogestão é isto: dar ao coletivo de forma igualitária a conhecerem integralmente a sua cooperativa e os chamarem à deliberação.

Por: Adelson Novaes. Especialista em cooperativismo, formado em Psicologia pela UERJ e pós-graduado pela FGV em Psicopedagogia. Ex-diretor executivo do DIEESE-RJ, ex-secretário do Sindicato dos Portuários do RJ, foi subsecretário de Educação de Nova Iguaçu/RJ.

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