Parlamentar em favor das cooperativas do Rio

paulo ramosUm dos mais influentes parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e militante de longa data do cooperativismo fluminense, o deputado estadual Paulo Ramos tem se destacado em fortalecer a categoria. E o resultado de sua dedicação rendeu frutos. Hoje, ele integra a Frente Parlamentar do Cooperativismo Fluminense (Frencoop Fluminense), lançada em outubro de 2012, que busca melhorar a situação das cooperativas no estado.

Em entrevista a Rio Cooperativo, o deputado disse que conheceu o segmento durante a juventude, ao ouvir que o cooperativismo privilegiava o trabalho e eliminava a figura do dono. Durante a conversa, o parlamentar falou do convite feito pela Organização das Cooperativas Brasileiras do Estado do Rio de Janeiro (OCB/RJ) para integrar a Frencoop Fluminense. Confira a seguir.

Rio Cooperativo – Como o senhor conheceu o cooperativismo? E como o vê atualmente?
Paulo Ramos (PR) – Tenho conhecimento do tema desde a minha adolescência, ouvia dizer que o cooperativismo era
uma forma superior de gestão porque privilegiava o trabalho e eliminava a figura do patrão. Então, tenho uma formação, uma convicção ideológica a respeito do papel do cooperativismo. Por ser um modelo de gestão socializante, obviamente é muito combatido. O cooperativismo prega a distribuição equânime dos resultados do trabalho. Já exerci vários mandatos, não conheço tão profundamente quanto aqueles que estão envolvidos e lutam pelo cooperativismo, mas sempre estive à disposição do setor.

RC – Como foi receber o convite da OCB/RJ para integrar a Frencoop Fluminense?
PR – Fiquei feliz, pois o mandato é um instrumento à disposição dos setores da sociedade que organizam. O cooperativismo está dando uma contribuição muito grande ao desenvolvimento do Rio de Janeiro, com cooperativas de todas as naturezas. Aqueles que se organizam já prestam um grande serviço, mas não têm ainda a necessária visibilidade e não têm o prestígio político para tratar da importância do cooperativismo. A Frente Parlamentar já foi constituída junto com outros companheiros, mas não sou o comandante desse instrumento aqui na Alerj. Já que existe a compreensão do princípio cooperativista, vamos também implementá-lo aqui na Frente. Todos os parlamentares que aderem à Frencoop devem ser vistos igualmente. Não há ninguém que possa pretender se destacar mais ou menos. O objetivo é transformar o poder legislativo como um todo num instrumento que compreenda o cooperativismo, prestigie e possa induzir políticas públicas e, ao mesmo tempo, legislar. No entanto, é preciso mobilizar, ajudar a organizar, em torno da OCB, fortalecê-la, para que a força política seja correspondente à contribuição, para o desenvolvimento, para a
distribuição da renda, para aquilo que é o econômico no estado, mas também tem que ter a contribuição social. Já estamos mobilizando algumas informações, temos tomado algumas providências. Tenho certeza que em 2013 iremos caminhar em busca de resultados efetivos que prestigiem o cooperativismo, que ele seja respeitado. O mais evidente que temos são as cooperativas de transporte alternativo, que criminalizam, confundem com milícia. Quem tem força no transporte coletivo é a Fetranspor. Existem famílias que se organizam em cooperativas. Portanto, só com mobilização é que teremos resultados.

RC – O senhor acha que a ação conjunta da Frencoop e OCB pode inibir a falta de respeito com as cooperativas?
PR – Há aqueles que não estão organizados, que usam os eventuais benefícios do cooperativismo para darem um tratamento igual a uma empresa, como se fosse o “dono” da cooperativa, que escraviza os cooperativados, e isso não podemos conceber. Tenho certeza de que podemos caminhar no sentido de prestigiar a OCB/RJ, pois se não houver um compromisso com fundamentos do cooperativismo, estaremos contribuindo para a preservação da mentira. Conheço e convivo com vários dirigentes de cooperativas sérias e sei que o propósito da OCB/RJ é fazer com que prevaleça o verdadeiro cooperativismo. Não tenho dúvida de que poderemos contribuir para uma fiscalização das cooperativas sérias. É uma luta muito grande e sabemos que a ‘picaretagem’ está presente em vários setores e sei dos propósitos íntegros da OCB/RJ. A cooperativa que respeita os fundamentos cooperativistas será não só reconhecida, como também prestigiada pela Frencoop. Mas este trabalho não terá qualquer possibilidade de seguir adiante sem que o caminho seja o fortalecimento da OCB/RJ.

alerj
RC – Uma das questões levantadas em entrevista para a TV Alerj foi o alto custo de cartórios para cooperativas habitacionais. Qual é sua visão sobre o assunto?
PR – Estamos votando as custas judiciais e os emolumentos cartorais. Acho um absurdo, porque uma pessoa, às vezes,
não tem condições de pagar os custos. Costumo dizer que é a lei do sexagenário. É pagar em 40 anos, e quando acabar de pagar, estará com mais de 60. Ou, se morrer, é a lei do ventre livre. Morreu, o seguro paga. Existe uma diferença muito grande entre a casa própria e o direito à moradia. Hoje, temos inúmeros programas habitacionais, como o “Minha casa, minha vida”, o Programa de Arrendamento Familiar (PAR), que é muito ruim. De qualquer maneira, acredito que a contribuição poderá ser grande, pois convidei companheiros de diferentes partidos para compor a Frente Parlamentar,
e sei que atuam com seriedade, dedicando-se ao mandato. Exatamente pelo perfil que cada um integra, tenho esperança de que a frente deverá dar uma boa contribuição.

RC – E sobre o ramo Táxi, existe algum projeto que já está sendo programado?
PR – Tenho um projeto que acaba com as empresas de táxi, pois essas empresas têm as autonomias e acabam escravizando o motorista. Temos que discutir isso de uma maneira responsável, de modo a fazer com que ninguém seja prejudicado, mas que seja possível reorganizar. Meu projeto trata das cooperativas de táxi, visando a fortalecer o cooperativismo. Meu propósito é reunir todos da frente, para que todos sejam autores. Não sendo uma autoria exclusiva, todo mundo assina como autor. E temos que discutir também a questão do auxiliar.

RC – Que pensamento o senhor deixaria para o cooperativismo fluminense hoje?
PR – Aqueles que acreditam mesmo no cooperativismo também têm que compreender que a organização é fundamental, e essa organização é a OCB/RJ. Se quiserem verdadeiramente o cooperativismo e construírem um instrumento político que tenha força e que o cooperativismo prevaleça, temos que nos reunir em torno da OCB/RJ. Ela é a instituição que está aí representando a categoria. E estou à disposição para as tarefas que se apresentarem.

Fonte: Revista Rio Cooperativo – Edição 16. 

Leia a edição completa aqui.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*


%d blogueiros gostam disto: